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TRÊS POEMAS DE JÉSSICA IANCOSKI

  • Foto do escritor: Revista Trajanos
    Revista Trajanos
  • 7 de ago. de 2021
  • 1 min de leitura

ROLOS DE PAPEL FILME


como ybá

secando longe do pé


dedos esticados

pela ganância branca

formam uma linha

do polegar ao mundinho


movimentos de pinça

roubam a tangerina

tentando extrair

a seiva interina


sem que saibam

robôs descascam

o firmamento


frutos envoltos em etileno

enrolam horizontes

em rolos de papel filme



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UM SÓ LAMENTO PARA O SOTERRAMENTO


enquanto cipós

se lançam do alto

das copas

buscando

a semente


pessoas

trocam de nome

tentando aceitar

a mente


yby seria só a terra

mas homens infelizes

impuseram o chão



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PILARES


antes do sol

uma mãe

e os seus seis filhos

se levantam e

erguem as mãos

para um deus mudo.


sem que saibam

sustentam o peso do mundo

para que um dois ou três

homens sem rostos subam

até a tez

da lua.


enquanto suas

mulheres cantam agudo

sobre as noites mais escuras

de um eclipse profundo.


e os pobres escutam

com seus rostos evaporados

em multidões

enquanto aguardam

esmagados

a própria vez.



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SOBRE A AUTORA


Jéssica Iancoski é pessoa não-binária, escritora, poeta e artista plástica. Publicou em várias antologias e revistas, nacionais (Mallarmargens, Ruído Manifesto, Acrobata, etc) e internacionais. Teve o poema “Rotina Decadente” reconhecido pela Academia Paranaense de Letras, aos 16 anos de idade. É editora do Toma Aí Um Poema – o maior podcast lusófono de declamação de poesias e, também, revista literária digital. Nasceu em Curitiba em 10 de Fevereiro de 1996. É formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.





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