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Homens de bem e outros poemas, por Daniel Osiecki

  • Foto do escritor: Revista Trajanos
    Revista Trajanos
  • 9 de out. de 2021
  • 2 min de leitura


Homens de bem

essa falsa fala decrépita que avança como vermes que devoram

toda luz do sol na manhã clara,

sai das entranhas do obtuso

sai das entranhas do inominável

a falsa fala decrépita crepita sob o fogo sagrado de seu ofício

torpe

ofício torpe

do trapo que vira o trato

do toque escuso na mão do

parceiro ao lado.

do toque sutil dos camaradas

que comandam a vigília noturna

no turno febril

noturno voraz.

não pode-se nomear a vil, o vão, o vulgar

o raso, o rasteiro, o risível.

risível homem de bem.

o risível homem de bem ri de si próprio.

está na vanguarda de seu retrocesso como nunca esteve antes

mas como sempre estará.

sujais as mãos, camaradas, sujais as mãos de tinta, de palavras, de mel,

de voracidade, de vontade própria.

a falsa fala decrépita desaparece na própria nuvem obscura de seu vórtice.



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Sem título


a cor do sangue

nunca deixa para trás essas mãos calejadas

mãos que sufocam

prendem

matam

suicidam

vlado herzog?

presente

marighella?

presente

frei tito?

presente

a cor do sangue nunca deixa para trás essas mãos calejadas

os gritos ecoam

sempre em silêncio

é o araguaia

araguaia

araguaia




---





Sem título


o sangue tem cor?

é um vórtice metafísico

absorvido por suas próprias entranhas

do começo ao fim

do começo ao fim

o sangue escorre pelas ruas da província

o sangue escorre pelas mãos do algoz

o sangue escorre por nossos olhos fechados e por nossas gargantas cortadas com o punhal

do algoz infame

ínfimo

que fere, feliz, com foice a face branda do jovem que grita

o sangue tem cor?

o sangue destas mãos tem cor?

o sangue destas mãos tem cor?


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